MODELOS DE ATRIBUIÇÃO: DO LAST CLICK AO MIX ORIENTADO POR IA

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A forma como medimos resultados em Marketing Digital está mudando tão rápido quanto os próprios canais. Com o fim gradual dos cookies de terceiros, maior preocupação com privacidade e jornadas cada vez mais fragmentadas, insistir em olhar apenas para o “último clique” é, na prática, tomar decisões estratégicas com uma parte muito pequena da história.

Em 2026, falar de modelos de atribuição significa falar de combinação:

  • Dados próprios (first-party data)
  • Múltiplos pontos de contato
  • Modelos estatísticos mais avançados
  • E, cada vez mais, Inteligência Artificial ajudando a interpretar esse conjunto

Por que o last click deixou de ser suficiente?

O modelo de last click (atribuir 100% do resultado ao último ponto de contato antes da conversão) foi, por muito tempo, o padrão de mercado. Ele é simples de entender e fácil de implementar. Mas, em alguns cenários, ele passa a distorcer a realidade:

  • Múltiplos dispositivos
  • Jornadas longas
  • Influência de conteúdo orgânico, pago, social, e-mail, WhatsApp, indicações
  • Decisões que não acontecem em uma única sessão

Alguns problemas do last click:

  • Supervaloriza o canal de fechamento (por exemplo, o Google Ads de marca)
  • Subvaloriza canais de descoberta e consideração (como conteúdo, social, mídia de topo)
  • Incentiva cortes em canais que não aparecem como “último clique”, mas são fundamentais para gerar demanda

A evolução dos modelos de atribuição

Antes de chegar aos modelos orientados por IA, vale recapitular os principais modelos que costumam aparecer nas ferramentas:

  • Last click:
    Atribui tudo ao último ponto de contato.

  • First click:
    Atribui tudo ao primeiro ponto de contato.

  • Linear:
    Divide o crédito igualmente entre todos os pontos de contato.

  • Time decay (decadência temporal):
    Dá mais peso aos pontos de contato mais próximos da conversão.

  • Baseado em posição (por exemplo, 40-20-40):
    Dá mais peso ao primeiro e ao último contato, e menos aos intermediários.

Cada um desses modelos conta uma história diferente sobre a mesma jornada. Nenhum é “perfeito”, mas todos podem ser úteis se usados com consciência.

O que muda em 2026 é que, com mais dados e mais capacidade computacional, passamos a ter modelos que vão além de regras fixas e começam a usar IA para entender padrões de contribuição entre canais.

Modelos orientados por IA: o que muda na prática

Modelos de atribuição orientados por IA (ou data-driven attribution, em muitas plataformas) usam algoritmos para analisar grandes volumes de dados e identificar:

  • Quais combinações de canais aparecem com mais frequência em jornadas que convertem
  • Qual é a probabilidade de um canal contribuir para a conversão, considerando o contexto
  • Como o comportamento muda ao longo do tempo, por campanha, por público, por oferta

Em vez de aplicar uma regra fixa (como “o último clique leva tudo”), esses modelos:

  • Distribuem o crédito de forma mais dinâmica
  • Ajustam o peso de cada canal com base em evidências
  • Conseguem capturar interações menos óbvias, mas importantes

Nós observamos que, quando bem configurados e interpretados, esses modelos ajudam a responder perguntas como:

  • Qual é o impacto real das campanhas de topo de funil no resultado final?
  • Quais canais funcionam melhor em combinação, e não isoladamente?
  • Onde vale a pena aumentar investimento, e onde faz sentido reduzir?

Desafios e limites dos modelos orientados por IA

Apesar das vantagens, é importante ter clareza sobre alguns pontos:

  • Dependência de volume de dados:
    Modelos orientados por IA precisam de uma quantidade mínima de dados para gerar resultados confiáveis. Em operações muito pequenas, o ganho pode ser limitado.

  • Qualidade dos dados:
    Se a base de dados estiver fragmentada, incompleta ou mal configurada (por exemplo, sem eventos de conversão bem definidos), o modelo vai refletir essas falhas.

  • Caixa-preta:
    Em muitos casos, a lógica interna do modelo não é totalmente transparente. Isso exige um nível maior de confiança na ferramenta e, ao mesmo tempo, um olhar crítico sobre os resultados.

O papel dos dados próprios na atribuição

Com o avanço das restrições de privacidade e o fim dos cookies de terceiros, os dados próprios da empresa ganham protagonismo. Eles são a base para qualquer modelo de atribuição mais robusto.

Isso inclui:

  • Dados de CRM (leads, oportunidades, clientes)
  • Histórico de compras e interações
  • Dados de navegação em propriedades próprias (site, app)
  • Interações em canais diretos (e-mail, WhatsApp, atendimento)

Quando esses dados estão integrados, é possível:

  • Enxergar a jornada além do clique isolado
  • Conectar campanhas a oportunidades e vendas reais
  • Entender o valor de longo prazo (LTV) por canal ou campanha

Como pensar atribuição de forma estratégica em 2026

Mais importante do que escolher “o modelo perfeito” é adotar uma visão estratégica de atribuição. Alguns princípios que consideramos fundamentais:

  1. Clareza de objetivo:

    • Atribuição para quê?
    • Otimizar mídia?
    • Entender papel de canais?
    • Justificar orçamento?
    • Melhorar previsibilidade de receita?

  2. Combinação de perspectivas:

    • Usar modelos diferentes para responder perguntas diferentes
    • Comparar last click, data-driven e análises por coorte, por exemplo

  3. Integração com o funil real:

    • Conectar dados de mídia com CRM e vendas
    • Entender não só quem clicou, mas quem avançou, quem comprou, quem permaneceu

  4. Ciclo contínuo de aprendizado:

    • Atribuição não é um relatório estático
    • É um processo de observar, testar, ajustar e repetir

Exemplos de decisões melhores com atribuição mais avançada

Quando a atribuição evolui, as decisões mudam. Alguns exemplos práticos:

  • Em vez de cortar campanhas de topo de funil porque “não convertem direto”, a empresa entende que elas são responsáveis por alimentar o funil e sustentar o volume de oportunidades no médio prazo.

  • Em vez de concentrar todo o orçamento em um único canal que aparece como “último clique”, a empresa identifica combinações de canais que, juntas, geram mais receita com CAC equilibrado.

  • Em vez de avaliar campanhas apenas por custo por lead, a empresa passa a olhar custo por cliente e LTV por origem, ajustando o foco para canais que trazem clientes mais valiosos.

Modelos de atribuição em 2026 não significam abandonar completamente o last click, mas sim colocá-lo no lugar certo: como uma das lentes possíveis, e não como a única verdade.

Na Evva Digital, nós acreditamos que Marketing é uma ciência complexa, que exige análise profunda e planejamento personalizado. Atribuição é uma das peças centrais dessa ciência e, quando bem trabalhada, se torna um dos maiores aliados na hora de decidir onde, como e quanto investir para crescer.

Se a sua empresa já investe em Marketing Digital, mas ainda toma decisões com base apenas em last click ou relatórios fragmentados, este é o momento de evoluir sua visão de atribuição.

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